O uso de telas pode ampliar o acesso à informação e apoiar a aprendizagem. Porém, quando ocupa todos os momentos da rotina, também pode disputar espaço com a concentração, o descanso, a convivência e outras experiências importantes.
O ambiente digital está presente nas pesquisas escolares, nas videoaulas, na comunicação entre amigos e na forma como crianças e adolescentes se informam.
Por isso, tratar toda tela como um problema não ajuda. É necessário observar a finalidade, o conteúdo, o contexto, o tempo de uso e o que deixou de acontecer enquanto o estudante estava conectado.
O que a pesquisa revela sobre o uso de telas?
A pesquisa “Percepções sobre Tecnologias Digitais na Comunidade Escolar”, publicada em 2025 pelo Observatório Fundação Itaú em parceria com a Equidade.Info, ouviu estudantes, professores e gestores de 170 escolas brasileiras.
O levantamento mostra uma relação ambivalente com a tecnologia. Ela pode apoiar o aprendizado, mas também está associada, na percepção da comunidade escolar, a dificuldades de concentração e bem-estar emocional.
Dificuldade de reduzir o uso de telas
Mais da metade dos estudantes participantes afirmou ter dificuldade para diminuir o tempo no celular ou no computador.
Percepção dos professores sobre o uso de telas
Entre os docentes, 76% acreditavam que os estudantes tinham dificuldade para se desconectar.
Percepção dos gestores
Entre os gestores ouvidos, 81% identificavam dificuldade de desconexão entre os alunos.
Uso de telas e concentração em sala de aula
Para 68% dos professores, o uso excessivo poderia prejudicar a concentração dos estudantes.
Os dados mostram percepções
A pesquisa ajuda a compreender como a comunidade escolar enxerga a tecnologia. Esses percentuais não significam que toda dificuldade de aprendizagem ou bem-estar seja causada exclusivamente pelas telas.
Quando o uso de telas se torna excessivo?
Não existe uma única resposta baseada apenas no relógio. O mesmo período pode ter efeitos diferentes quando é usado para uma aula, uma conversa com familiares, um jogo ou uma sequência de conteúdos sem pausa.
O ponto de atenção aparece quando o uso começa a interferir de forma persistente em atividades importantes, como sono, estudos, alimentação, movimento, relações presenciais e responsabilidades.
Sinais para observar sem diagnosticar
Famílias e educadores podem observar dificuldade frequente para interromper o uso, perda constante de horários, conflitos repetidos e abandono de atividades antes valorizadas.
Esses sinais não devem ser usados para rotular o estudante. Eles servem como convite para diálogo e, quando necessário, busca de orientação profissional.
Equilíbrio digital não é viver sem tecnologia. É evitar que ela ocupe todo o espaço da vida.
O uso de telas também pode apoiar a aprendizagem
Na pesquisa, professores e gestores também reconheceram benefícios. Setenta por cento dos professores e 68% dos gestores consideravam que a tecnologia poderia contribuir para melhorar o desempenho escolar.
Entre os estudantes, as ferramentas digitais já fazem parte de diferentes etapas da aprendizagem.
Uso de telas em pesquisas escolares
Utilizavam a internet para buscar informações relacionadas aos trabalhos.
Dúvidas sobre conteúdos
Procuravam explicações para compreender melhor os assuntos estudados.
Resolução de exercícios
Buscavam soluções e explicações para atividades escolares.
Videoaulas
Assistiam a aulas em vídeo como recurso complementar de estudo.
Intencionalidade pedagógica faz diferença
A presença de um aparelho não garante aprendizagem. Para que a tecnologia ajude, a atividade precisa ter objetivo, orientação, duração adequada e relação clara com o conteúdo.
Além disso, a escola deve ensinar os estudantes a comparar fontes, reconhecer publicidade, proteger dados e questionar conteúdos enganosos.
Uso de telas e a Lei nº 15.100/2025
A Lei nº 15.100/2025 passou a restringir a utilização de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais por estudantes da educação básica durante aulas, recreios e intervalos.
A legislação prevê exceções para finalidades pedagógicas autorizadas e para situações relacionadas à acessibilidade, inclusão, saúde, segurança e garantia de direitos.
A regra precisa vir acompanhada de educação
Guardar o celular durante parte da rotina reduz distrações, mas não ensina sozinho como lidar com algoritmos, redes sociais, notícias falsas ou pressão por respostas imediatas.
Por isso, o Ministério da Educação disponibilizou materiais para escolas, redes de ensino e famílias. A proposta é combinar a aplicação da lei com conscientização e uso pedagógico responsável.
Regras acessíveis e proporcionais
As orientações da escola devem ser comunicadas com clareza, considerar as exceções legais e evitar medidas humilhantes ou exposição pública dos estudantes.
Como a escola pode orientar o uso de telas?
A escola tem um papel que vai além de permitir ou recolher aparelhos. Ela pode formar estudantes capazes de utilizar tecnologia com autonomia, ética e senso crítico.
Construir regras compreensíveis
Estudantes e famílias precisam saber quando, onde e por que os dispositivos podem ou não ser usados.
Ensinar leitura crítica
Comparar fontes oficiais, identificar manipulações e reconhecer interesses comerciais são competências digitais.
Planejar o uso pedagógico
A tecnologia deve entrar na aula quando acrescentar uma possibilidade real de pesquisa, criação ou colaboração.
Oferecer experiências fora das telas
Leitura, arte, esporte, conversa e atividades práticas precisam permanecer presentes na rotina escolar.
Como as famílias podem organizar o uso de telas?
As regras funcionam melhor quando são previsíveis e possíveis de cumprir. Mudanças muito rígidas, aplicadas sem conversa, podem aumentar conflitos e levar ao uso escondido.
O exemplo dos adultos também importa. Pedir que crianças e adolescentes deixem o celular durante uma refeição enquanto todos os demais continuam conectados enfraquece o acordo.
Comece por momentos protegidos
A família pode definir períodos sem dispositivos, como refeições, momentos de conversa, tarefas escolares que exigem concentração e o horário próximo ao sono.
Também é importante oferecer alternativas. Reduzir o acesso sem criar oportunidades de esporte, leitura, convivência ou descanso torna a mudança mais difícil.
Plano prático para equilibrar o uso de telas
Mapeie a rotina
Observe quando, para quê e por quanto tempo os dispositivos são utilizados, sem começar pela culpa.
Defina prioridades
Proteja sono, refeições, estudos, movimento e convivência antes de estabelecer limites de entretenimento.
Crie acordos visíveis
Registre regras simples, exceções e consequências proporcionais para que todos compreendam o combinado.
Revise os acordos
Idade, rotina escolar e necessidades mudam. O plano precisa ser avaliado e ajustado com participação.
Educação digital e o Instituto Viver Feliz
O Instituto Viver Feliz acredita que a educação transforma realidades. Isso inclui ampliar o acesso às tecnologias, mas também preparar crianças, adolescentes e famílias para utilizá-las de forma crítica e responsável.
Em Itaquera e na Zona Leste de São Paulo, o diálogo entre comunidade, escolas, famílias e organizações sociais pode fortalecer práticas de proteção, aprendizagem e convivência digital.
Transformar acesso em aprendizagem exige tecnologia, propósito e cuidado.
Fontes consultadas
Perguntas frequentes sobre uso de telas
A tecnologia deve ser proibida na educação?
Não. Ela pode apoiar pesquisas, aulas e comunicação quando existe finalidade pedagógica, orientação e equilíbrio. O problema está no uso sem propósito ou que interfere na aprendizagem, no descanso e na convivência.
O celular pode ser usado na escola?
A Lei nº 15.100/2025 restringe o uso de aparelhos eletrônicos pessoais durante aulas, recreios e intervalos, com exceções previstas para finalidades pedagógicas, acessibilidade, saúde, segurança e garantia de direitos.
Como reduzir o uso de telas sem criar conflitos?
O caminho inclui diálogo, regras claras, participação dos estudantes, exemplo dos adultos, horários sem dispositivos e alternativas de convivência, leitura, esporte e descanso.
Quando procurar orientação profissional?
Quando o uso interfere de forma persistente no sono, nos estudos, nas relações ou na rotina, a família pode procurar a escola e um profissional de saúde para uma avaliação individual.
