Uso de telas e educação | Instituto Viver Feliz
Tecnologia, aprendizagem e equilíbrio

Uso de telas: como equilibrar tecnologia e educação

Celulares, computadores e redes sociais fazem parte da rotina dos estudantes. O desafio não é ignorar a tecnologia, mas aprender a utilizá-la com propósito, limites e consciência.

Leitura: 7 minutos Educação e cultura Itaquera e Zona Leste de São Paulo

O uso de telas pode ampliar o acesso à informação e apoiar a aprendizagem. Porém, quando ocupa todos os momentos da rotina, também pode disputar espaço com a concentração, o descanso, a convivência e outras experiências importantes.

Uso de telas por estudante e os desafios para a educação
O equilíbrio digital depende de orientação, regras claras e uso intencional da tecnologia.

O ambiente digital está presente nas pesquisas escolares, nas videoaulas, na comunicação entre amigos e na forma como crianças e adolescentes se informam.

Por isso, tratar toda tela como um problema não ajuda. É necessário observar a finalidade, o conteúdo, o contexto, o tempo de uso e o que deixou de acontecer enquanto o estudante estava conectado.

O que a pesquisa revela sobre o uso de telas?

A pesquisa “Percepções sobre Tecnologias Digitais na Comunidade Escolar”, publicada em 2025 pelo Observatório Fundação Itaú em parceria com a Equidade.Info, ouviu estudantes, professores e gestores de 170 escolas brasileiras.

O levantamento mostra uma relação ambivalente com a tecnologia. Ela pode apoiar o aprendizado, mas também está associada, na percepção da comunidade escolar, a dificuldades de concentração e bem-estar emocional.

56%

Dificuldade de reduzir o uso de telas

Mais da metade dos estudantes participantes afirmou ter dificuldade para diminuir o tempo no celular ou no computador.

76%

Percepção dos professores sobre o uso de telas

Entre os docentes, 76% acreditavam que os estudantes tinham dificuldade para se desconectar.

81%

Percepção dos gestores

Entre os gestores ouvidos, 81% identificavam dificuldade de desconexão entre os alunos.

68%

Uso de telas e concentração em sala de aula

Para 68% dos professores, o uso excessivo poderia prejudicar a concentração dos estudantes.

Os dados mostram percepções

A pesquisa ajuda a compreender como a comunidade escolar enxerga a tecnologia. Esses percentuais não significam que toda dificuldade de aprendizagem ou bem-estar seja causada exclusivamente pelas telas.

Quando o uso de telas se torna excessivo?

Não existe uma única resposta baseada apenas no relógio. O mesmo período pode ter efeitos diferentes quando é usado para uma aula, uma conversa com familiares, um jogo ou uma sequência de conteúdos sem pausa.

O ponto de atenção aparece quando o uso começa a interferir de forma persistente em atividades importantes, como sono, estudos, alimentação, movimento, relações presenciais e responsabilidades.

Sinais para observar sem diagnosticar

Famílias e educadores podem observar dificuldade frequente para interromper o uso, perda constante de horários, conflitos repetidos e abandono de atividades antes valorizadas.

Esses sinais não devem ser usados para rotular o estudante. Eles servem como convite para diálogo e, quando necessário, busca de orientação profissional.

Equilíbrio digital não é viver sem tecnologia. É evitar que ela ocupe todo o espaço da vida.

O uso de telas também pode apoiar a aprendizagem

Na pesquisa, professores e gestores também reconheceram benefícios. Setenta por cento dos professores e 68% dos gestores consideravam que a tecnologia poderia contribuir para melhorar o desempenho escolar.

Entre os estudantes, as ferramentas digitais já fazem parte de diferentes etapas da aprendizagem.

90%

Uso de telas em pesquisas escolares

Utilizavam a internet para buscar informações relacionadas aos trabalhos.

86%

Dúvidas sobre conteúdos

Procuravam explicações para compreender melhor os assuntos estudados.

85%

Resolução de exercícios

Buscavam soluções e explicações para atividades escolares.

74%

Videoaulas

Assistiam a aulas em vídeo como recurso complementar de estudo.

Intencionalidade pedagógica faz diferença

A presença de um aparelho não garante aprendizagem. Para que a tecnologia ajude, a atividade precisa ter objetivo, orientação, duração adequada e relação clara com o conteúdo.

Além disso, a escola deve ensinar os estudantes a comparar fontes, reconhecer publicidade, proteger dados e questionar conteúdos enganosos.

Uso de telas e a Lei nº 15.100/2025

A Lei nº 15.100/2025 passou a restringir a utilização de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais por estudantes da educação básica durante aulas, recreios e intervalos.

A legislação prevê exceções para finalidades pedagógicas autorizadas e para situações relacionadas à acessibilidade, inclusão, saúde, segurança e garantia de direitos.

A regra precisa vir acompanhada de educação

Guardar o celular durante parte da rotina reduz distrações, mas não ensina sozinho como lidar com algoritmos, redes sociais, notícias falsas ou pressão por respostas imediatas.

Por isso, o Ministério da Educação disponibilizou materiais para escolas, redes de ensino e famílias. A proposta é combinar a aplicação da lei com conscientização e uso pedagógico responsável.

Regras acessíveis e proporcionais

As orientações da escola devem ser comunicadas com clareza, considerar as exceções legais e evitar medidas humilhantes ou exposição pública dos estudantes.

Como a escola pode orientar o uso de telas?

A escola tem um papel que vai além de permitir ou recolher aparelhos. Ela pode formar estudantes capazes de utilizar tecnologia com autonomia, ética e senso crítico.

01

Construir regras compreensíveis

Estudantes e famílias precisam saber quando, onde e por que os dispositivos podem ou não ser usados.

02

Ensinar leitura crítica

Comparar fontes oficiais, identificar manipulações e reconhecer interesses comerciais são competências digitais.

03

Planejar o uso pedagógico

A tecnologia deve entrar na aula quando acrescentar uma possibilidade real de pesquisa, criação ou colaboração.

04

Oferecer experiências fora das telas

Leitura, arte, esporte, conversa e atividades práticas precisam permanecer presentes na rotina escolar.

Como as famílias podem organizar o uso de telas?

As regras funcionam melhor quando são previsíveis e possíveis de cumprir. Mudanças muito rígidas, aplicadas sem conversa, podem aumentar conflitos e levar ao uso escondido.

O exemplo dos adultos também importa. Pedir que crianças e adolescentes deixem o celular durante uma refeição enquanto todos os demais continuam conectados enfraquece o acordo.

Comece por momentos protegidos

A família pode definir períodos sem dispositivos, como refeições, momentos de conversa, tarefas escolares que exigem concentração e o horário próximo ao sono.

Também é importante oferecer alternativas. Reduzir o acesso sem criar oportunidades de esporte, leitura, convivência ou descanso torna a mudança mais difícil.

Plano prático para equilibrar o uso de telas

01

Mapeie a rotina

Observe quando, para quê e por quanto tempo os dispositivos são utilizados, sem começar pela culpa.

02

Defina prioridades

Proteja sono, refeições, estudos, movimento e convivência antes de estabelecer limites de entretenimento.

03

Crie acordos visíveis

Registre regras simples, exceções e consequências proporcionais para que todos compreendam o combinado.

04

Revise os acordos

Idade, rotina escolar e necessidades mudam. O plano precisa ser avaliado e ajustado com participação.

Educação digital e o Instituto Viver Feliz

O Instituto Viver Feliz acredita que a educação transforma realidades. Isso inclui ampliar o acesso às tecnologias, mas também preparar crianças, adolescentes e famílias para utilizá-las de forma crítica e responsável.

Em Itaquera e na Zona Leste de São Paulo, o diálogo entre comunidade, escolas, famílias e organizações sociais pode fortalecer práticas de proteção, aprendizagem e convivência digital.

Transformar acesso em aprendizagem exige tecnologia, propósito e cuidado.

Fontes consultadas

Perguntas frequentes sobre uso de telas

A tecnologia deve ser proibida na educação?

Não. Ela pode apoiar pesquisas, aulas e comunicação quando existe finalidade pedagógica, orientação e equilíbrio. O problema está no uso sem propósito ou que interfere na aprendizagem, no descanso e na convivência.

O celular pode ser usado na escola?

A Lei nº 15.100/2025 restringe o uso de aparelhos eletrônicos pessoais durante aulas, recreios e intervalos, com exceções previstas para finalidades pedagógicas, acessibilidade, saúde, segurança e garantia de direitos.

Como reduzir o uso de telas sem criar conflitos?

O caminho inclui diálogo, regras claras, participação dos estudantes, exemplo dos adultos, horários sem dispositivos e alternativas de convivência, leitura, esporte e descanso.

Quando procurar orientação profissional?

Quando o uso interfere de forma persistente no sono, nos estudos, nas relações ou na rotina, a família pode procurar a escola e um profissional de saúde para uma avaliação individual.